2006/11/28

Just push play*



Quando dou mais de mim, quando entrego a nação suadamente conquistada, quando me desfaço de um território que jamais pisei.
Quando dispo a pele por teu agasalho, quando expiro todo o ar que tenho para que o sorvas, quando te calço quentes meias no Inverno.
Quando arranco de mim a posse, quando abro a mão e dela me escorre fina areia, quando atapeto o chão que pisas.
Quando não reivindico a tutela do meu mundo, quando não falo para que não te impinja a voz, quando não te vejo para que não te ataque.
Entendo então toda a perda como um mal menor. Sou feliz por ir vivendo. Mesmo no ambivalente conflito da partilha. Mesmo rodeado de coisas feitas de nada. Mesmo sem um breve resquício de mim.

* Aphex Twin, Avril 14th.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Feliz por ir vivendo, é isso mesmo, é a realidade em que muitos vivem, boa semana

29 Novembro, 2006 15:30  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Viver é preciso! Mas há quem viva pior que nós!
Dentro do relativismo das coisas, sê feliz!

01 Dezembro, 2006 18:45  

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