Rua de mim...
Não reconheço as pedras da calçada. Cada passo que dou é uma troca de perna ante perna. Sento-me no café e observo. As pessoas circulam, vazias, rugas de preocupação ilustram os rostos sérios. Não há risos.
Entendo. Coisas vãs são o mote do dia. E as coisas sérias não dizem nada a ninguém. Só os problemas, infelizmente. Perturbo-me. Perturba-me a frustração que me rodeia.
As pedras da calçada lá estão, quietas, alinhadas, encaixadas. Perturbo-me. Perturba-me que as pessoas que passam sobre elas sejam também como pedras. Já ninguém questiona nada. Morreram os filósofos. Não há diálogo.
Deixo-me ficar na esplanada. Sinto a brisa e reparo numa nuvem no céu. Penso que o tempo vai mudar. A conversa até está animada, mas eu estou completamente alienada. Os meus pensamentos ocupam demasiado espaço em mim. Ocasionalmente um ou outro assunto desperta a minha atenção e participo com uma chalaça, faço rir os outros.
Volto a minha atenção para aquela calçada e para as pedras que passam. Imagino agora que a calçada é feita de pessoas e que são pedras que andam sobre ela. E nada me perturba...
Entendo. Coisas vãs são o mote do dia. E as coisas sérias não dizem nada a ninguém. Só os problemas, infelizmente. Perturbo-me. Perturba-me a frustração que me rodeia.
As pedras da calçada lá estão, quietas, alinhadas, encaixadas. Perturbo-me. Perturba-me que as pessoas que passam sobre elas sejam também como pedras. Já ninguém questiona nada. Morreram os filósofos. Não há diálogo.
Deixo-me ficar na esplanada. Sinto a brisa e reparo numa nuvem no céu. Penso que o tempo vai mudar. A conversa até está animada, mas eu estou completamente alienada. Os meus pensamentos ocupam demasiado espaço em mim. Ocasionalmente um ou outro assunto desperta a minha atenção e participo com uma chalaça, faço rir os outros.
Volto a minha atenção para aquela calçada e para as pedras que passam. Imagino agora que a calçada é feita de pessoas e que são pedras que andam sobre ela. E nada me perturba...
Etiquetas: fábulas da fábula

6 Comments:
texto delicioso. aqui fica a versão, um dia cantada, dos USA:
"everybody's talking at me, I can't hear a word they say, Only the ecos of my mind...
Willie Nelson
BRUNO, obrigada... =)
concordo, acredita que às vezes me sinto assim mesmo: rodeada de gente de pedra... que nem para calçada serve
mais "bravo"?
MO, o problema é que de vez em quando eu também sou uma pedra da calçada, mas só de vez em quando m4esmo. ;)
Calçada portuguesa
Ruas e calçadas, molhadas
Vidas, lágrimas derramadas
Gritos, de peito meu
flores tristes, abortadas
calçadas não enfeitadas
Dores, de quem sofreu
Almas doridas, pisadas
pedras duras, marteladas
acasos, o fadista gemeu
Mas Deus se condoeu...
De trovoadas, lágrimas secou
Trovões, gritos amordaçou
corações esfarrapados coseu
A vida continuou...
Calçadas, vidas marteladas
Pedras polidas ordenadas
Dores de quem as pisou
Sonho que se perdeu,..
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